sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Lilian, a Bruxa (Parte 2)

[...] assim, no nosso grupo, ela ganhou o apelido de “Lilian, a Bruxa”[...]

Dave tinha a mania de aprontar com ela, ele ficava jogando pedra no telhado de sua casa e se escondia, não demorava muito e Dona Lilian saia de dentro de sua casa reclamando e xingando em voz alta. Dave se divertia muito com isso. Eu particularmente achava isso um ato muito ridículo para um garoto de dezessete anos, tanto é porque a coitada da Dona Lilian não fazia mal a ninguém, era ela em seu canto e que se dane o resto (não necessariamente nesse ponto de vista, quero dizer, ela não incomodava ninguém e também gostaria que ninguém a incomodasse), mas Dave se divertia em irritar a pobre Lilian.
     Lilian morava lá há uns quarenta anos, uma vez minha mãe me contou que ela era uma mulher muito feliz, casada, não tinha filhos, era apenas Lilian e Wilson, o marido dela. Dona Lilian sempre cumprimentava os vizinhos, ela adorava as crianças do bairro, sempre que fazia compras lhes davam um pouco de balas e doces. Já que não podia ter filhos, Lilian se contentava com a alegria das outras crianças, até que um dia uma coisa terrível aconteceu: Wilson voltava do serviço dirigindo em alta velocidade, provavelmente embriagado, uma das crianças do bairro estava brincando na rua, isso fez com que Wilson perdesse o controle do carro e batesse em cheio em um poste, mas o pior de tudo é que ele não conseguiu se desviar da criança, que com o impacto, morreu na hora. Wilson estava sem o cinto de segurança, foi direto com a cabeça no volante, e como já era um senhor de idade, não suportou e morreu logo em seguida no hospital. Isso fez Lilian delirar, ela ficou trancada em casa por alguns dias, os vizinhos tentavam entrar em sua casa para consolá-la, mas tudo o que ouviam era “sumam daqui, não preciso de vocês, me deixem em paz”. Os vizinhos sem saber como consolar Lilian, decidiram deixá-la em paz. Lilian ficou muitos anos sem sair direito de casa, saia apenas para pagar as contas e as compras fazia por telefone.
     Dave colocou o primeiro pé no portão:
- Quem vai comigo? – perguntou olhando pra galera
     Ninguém respondeu.
- Qual é pessoal, não me digam que vocês vão ser igual ao Jhon, hein?
- Por que não entra sozinho, Dave? – Perguntei num tom de desafio – Não é você o machão da turma? Ta com medinho de entrar sozinho, é?
     Nessa hora ele pulou do portão e foi para cima de mim, achei que fosse me bater, agarrou o colarinho da minha camiseta e disse:
- Acha mesmo que eu sou um medroso igual a você? Posso entrar nessa casa sozinho, sem a ajuda de vocês, bando de medrosos. Vocês são todos uns mulherzinhas.
     Depois de ter dito isso, novamente colocou os pés no portão e foi subindo. Amanda e Paul decidiram ir também e junto com Dave pularam o portão. Cada um tinha uma lanterna e começaram a caminhar pelo quintal de Lilian. Finalmente chegaram até a porta, de onde Mary e eu estávamos, deu para perceber que ela estava aberta e então o trio entrou. Desde o começo eu estava com uma péssima sensação sobre isso, mas queria dar uma lição no Dave pra ele parar de se achar o machão.
     Passaram-se alguns minutos e nada daqueles três, comecei a achar que eles estavam planejando demorar só pra gente ficar preocupados, mas ao mesmo tempo comecei a achar que alguma coisa ruim estava acontecendo.




Postado por: DevZ

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