sábado, 17 de dezembro de 2011

Melany, cadê você? (Parte 2)

[...]meu coração quase pulou pela boca quando consegui identificar a luz. Foi o momento mais assustador da minha vida[...]

Sim, eu levei um enorme de um susto. Quando me lembro dessa parte não sei se dou risada ou se morro de vergonha de mim mesmo. Até hoje não consigo acreditar como eu pude me assustar com a televisão ligada, foi o momento mais constrangedor da minha vida. “ET’s? Ah, faça-me o favor, como poderia pensar numa coisa sem sentido como essa?” Provavelmente é o que vocês devem estar pensando agora, acertei? Pois é, se vocês estivessem na minha pele naquele momento, iriam sentir a mesma coisa que eu ou de fato  pior. Mas o mais estranho, é que a TV estava no mudo e eu não ouvia a voz de Melany em canto algum. Novamente sussurrei:
- Mel... – Era assim que eu a chamava quando estava com medo– Mel... Onde você está?  Mel?
     Não sei o porquê, mas eu não conseguia falar mais alto que isso, por mais que tentasse minha voz não passaria de um simples sussurro. Continuei andando bem de vagar, olhava para os lados, para trás, sempre cauteloso. Aquele chão frio estava congelando meus pezinhos, eu deveria pelo menos ter pegado a minha pantufa verde que a Mel havia me dado no meu aniversário de sete anos. Lembro-me de ter ficado tão feliz que saí correndo pela casa igual a um doido, gritando e pulando de alegria. Meus pais e Mel riam de mim, ela até se deitou no sofá e começou a reclamar que sua barriga estava doendo, mas não parava de rir. Quando ela se levantou e conseguiu com acalmar o ataque de risos, ela estava toda vermelha. Logo após ela ter se levantado eu fui correndo em sua direção e dei um abraço bem apertado, agradecendo-a pelo presente Ela me pegou no colo, e me ergueu La em cima e depois me deu um beijinho no nariz e depois um abraço. Pouco depois veio a festa que eu tanto esperava. Meus parentes e amiguinhos do colégio estavam todos presentes e eu sempre ficava me gabando que tinha a melhor babá do mundo, elogiava-a para meus amigos, me sentia o garoto mais feliz do mundo. Mel sempre ficava envergonhada e dizia que não era pra tanto.
     Eu dava uns oito passos e depois parava para esfregar meus pés um no outro para esquentá-los. Entrei na cozinha e olhei de um lado para o outro, aproveitei para beber água, peguei minha caneca do Pernalonga, enchi de água e comecei a beber aos poucos, sem fazer nenhum ruído se quer. Deixei a caneca sob a pia e continuei a busca pela babá, dessa vez sem pronunciar seu nome. Resolvi ficar em silencio para tentar captar alguma onda sonora, mas a única coisa que eu conseguia ouvir era o som dos grilos lá fora, dentro de casa mesmo não se escutava nada. Cansado de procurar, resolvi voltar para a sala, quando sentei no sofá vi sob ele o celular de Mel, pelo que me lembre tinha duas ligações perdidas de uma tal de... Como era mesmo o nome dela? Ah, esqueci agora, mas era uma das amigas dela, suponho. Eu gostava daquele celular, ela sempre me deixava jogar nele enquanto eu deitava sob seu colo e ela me fazia um cafuné bem gostoso até eu dormir. Enquanto eu mexia no celular dela, ouvi um estranho barulho lá fora, na mesma hora comecei a olhar para todos os lados para ver o que era. Logo em seguida ouvi algo batendo no vidro da janela da sala, quando olhei levei o maior susto da minha vida, pior que o da televisão. Desta vez, o que eu vi era realmente real...

                   
                                                                                                     Continua...

Postado por: DevZ

Nenhum comentário:

Postar um comentário